22 dezembro 2006

Celebrando a nova Aliança no Natal

O Natal não é apenas o nascimento de Jesus. Pensar nele assim é limitar o seu real significado. Quando Cristo nasceu, ele inaugurou a nova Aliança, e se fez o nosso representante diante do Pai, como Mediador deste Pacto da graça. O Redentor é o cumprimento das promessas do Antigo Testamento. Desde o Jardim do Éden, o nascimento do Filho de Deus é ansiado (Gn 3:15). Ao decorrer de toda a antiga Aliança foram acrescentadas novas promessas e profecias descrevendo com detalhes como o Salvador se manifestaria no mundo, reconciliando pecadores com o santo Deus. Por isso, Ele é chamado de Cristo [do hebraico mashiah: que significa prometido].

Hoje podemos olhar para o passado e visualizar toda a obra da redenção consumada. Por isso, não devemos nos limitar a comemorar somente o nascimento de Cristo, mas podemos nos alegrar com toda a salvação realizada por Ele. A sua encarnação apenas inaugurou todo o processo que culminaria na Sua vergonhosa morte na cruz (Fp 2:5-11; 2 Co 5:18-21).

A verdadeira celebração começa na conversão. Não é possível festejar o nascimento de Cristo sem passarmos por um novo nascimento (Jo 3:3-15). Não é possível comemorar o nascimento do Salvador, vivendo escravo do pecado, sob a ira de Deus, desprezando a graciosa salvação. Cristo veio precisamente para perdoar e salvar o que estava perdido (Lc 15).

O verdadeiro sentido natalino somente se tornará real, quando você entender que “se confessarmos os nossos pecados, Ele [Cristo] é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça” (1 Jo 1:9). Se não tivermos dado boas vindas a Cristo em nosso coração, não temos a alegria da salvação, e conseqüentemente, o Natal será apenas comida e bebida, mas não haverá “justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17).

Abençoadas festas celebrando a Aliança do Senhor contigo, em Cristo Jesus o Mediador.

20 dezembro 2006

Que presente é este?

Celebramos o aniversário da nossa igreja, a Igreja Presbiteriana de Porto Velho, no dia 18 de Dezembro! Estamos completando 29 anos de organização. Mas, desejo perguntar-lhe o que você fez para enriquecer a nossa comunidade? Não estou perguntando de dinheiro, a minha questão se refere à sua participação no Corpo de Cristo. Os valores do reino de Deus “não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17). Refazendo a minha pergunta: no desenvolver de 2006, você e a sua família se tornaram mais ricos e nutridos de justiça, paz e alegria no Espírito de Deus?

Dar um presente à nossa igreja não é simplesmente comprar um objeto para colocar no templo, ou em qualquer outro lugar que envolva o nosso patrimônio físico. Presentear a nossa igreja começa com o preparar-se para viver na presença de Deus, aceito por Ele. Alguns atos simples se tornam em preciosos presentes quando cuidamos com carinho da nossa família; ou, sinceramente exercendo a nossa comunhão com os irmãos; preocupando-nos uns com os outros; chorando e nos alegrando juntos; cooperando nas programações; aceitando os desafios dos novos projetos com discernimento; e, quando buscamos àqueles que ainda não têm Jesus como o seu Salvador pessoal, conduzindo-os ao amor de Deus (Jo 3:16).

Talvez, você agora me pergunte: mas, que presente é este? É um presente para a igreja ou para mim mesmo? Realmente a resposta está na sua questão! Você é membro da igreja, a sua família é parte muito importante do Corpo de Cristo, então, ao cuidar da sua família, e ao conduzir a sua família a participar do convívio saudável do povo de Deus, você estará presenteando toda a igreja. Quanto custa a felicidade da comunhão familiar e da igreja? Não podemos trocar os valores: não se esqueça que pessoas são sempre mais importantes do que as coisas.

Prepare-se para dar à nossa igreja a sua santidade pessoal, o seu amor, apaixone-se pela nossa comunidade, assuma compromisso de cuidar das pessoas que convivem conosco, que com a nossa família são parte da grande família de Deus. Ninguém saberá o que você quer dizer quando fala que Deus é amor, se você não agir conforme o que se fala.

Seja a tua fidelidade e obediência em tudo ao Senhor o teu verdadeiro presente ao Senhor da nossa igreja. O presente que é entregue por obrigação não é recebido com alegria. A Escritura diz: ... eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros (1 Samuel 15:22). Por isso, é possível dar sem amor, mas é impossível amar sem dar. Apenas somos o que amamos.

07 dezembro 2006

O perigo do orgulho

Orgulho é a disposição de mostrarmos uma condição superior àquilo que realmente somos. Por mais capazes que sejamos, nunca poderemos nos esquecer que Deus nos faz servos. Por isso, no Antigo Testamento a palavra hebraica para orgulho realça a altivez ilusória da pecador, e no Novo Testamento, a palavra grega refere-se ao engano de olhar por cima dos demais, considerando-se superior aos outros. Em nossa cultura também expressamos esta verdade ilustrada pelo provérbio: fulano pensa que está por cima da carne seca.

O orgulho tem variadas formas de sinônimos. Pode ser chamado de arrogância, presunção, altivez, insolência, ostentação, pedantismo e soberba. Embora, haja variação no uso de cada um destes verbetes, mas a causa, a raíz, o desenvolvimento e o resultado sempre serão os mesmos.

Esta disposição transforma-se em pensamentos, motivações, sentimentos e finalmente atitudes. É interessante como este pecado é tão comum em todo ser humano, e ao mesmo tão prazeiroso, e tão difícil de ser reconhecido em si mesmo. Mas, é precisamente por causa do próprio orgulho, é que ele se esconde, somos motivados pelo sentimento de auto-preservação. O orgulho é sujo demais para aparecer manchando a nossa tão ilustre imagem!

O orgulho conduz e induz à outros pecados. Por exemplo, a auto-suficiência faz com que neguemos a necessidade da mutualidade [uns aos outros]; a competividade gera desprezo pela superioridade e excelência do outro, produzindo em nós inveja do seu desempenho, ou prosperidade; o engano de sermos superiores nos ilude em ostentar um status e valores que realmente são vaidade; o próprio saber perde o seu propósito produtivo tornando-se em pedantismo; e a lista não termina...

Mas, o orgulho de cada um compete com a soberba dos demais. Outro ditado diz que dois bicudos não se beijam. Responda com sinceridade às seguintes perguntas de auto-avaliação: 1) o quanto me desagrada ser desprezado?; 2) sinto-me ofendido quando recusam dar-me atenção?; 3) qual a minha reação quando um orgulhoso se aproxima de mim, ostentando a sua própria soberba?; 4) aceito que outras pessoas [confiáveis] se intrometam na minha vida [prática da mutualidade]?

Geralmente as pessoas não percebem, mas o orgulho pode ser um estímulo para derrotar pecados mais simples. No impulso do orgulho "ferido" o covarde reage! Para não ser desprezado é possível dominar, sem mudar, o mau gênio. Com medo do escândalo algumas pessoas evitam uma vida de promiscuidade, mas quando estão seguras entre estranhos se soltam e fazem aquilo que realmente são. Por fim, o orgulho pode ser a motivação para a vaidade, mas também o inibidor dela. O real problema é que o orgulho não aperfeiçoa a pessoa, apenas produz uma maquiagem temporária, para que o soberbo não entre em prejuízo nos seus interesses pessoais.

O resultado final do pecado que ostenta, e que nos ilude com uma pseudo-elevação [altivez] será uma desgraçada queda. Os efeitos do orgulho são: engano do coração [Jr 49:16]; endurecimento da mente para a verdade [Dn 5:20]; produção da inimizade [Pv 13:10]; leva à auto-destruição [Pv 16:18; 2 Sm 17:23]; esgota as energias, porque o esforço de manter o orgulho é demasiado difícil para ostentá-lo de forma permanente [Sl 131]. A Palavra de Deus diz que ele resiste ao soberbo [Tg 4:6].

A cura para o orgulho não está na maturidade obtida com os anos. Não é o acúmulo de conhecimento, ou de experiências que lhe habilitará vencer o seu orgulho, mas apenas o quebrantamento produzido pelo Espírito do Senhor. A Escritura Sagrada ordena-nos humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará [Tg 4:10].

30 novembro 2006

O que eu tenho com isto?

A nossa consciência está adormecendo de tanto ver o comum sofrimento e o caos. Parece "normal" encontrarmos o aumento de mendigos, menores abandonados morando nas ruas, o crescimento da prostituição [e a tentiva de legalizá-la], a absolvição de culpados nos tribunais, a separação de casais, o sexo antes do casamento, violência nas ruas acompanhada de tiros e gritos, a multiplicação das drogas, o extermínio de presos nos presídios, e parece realmente que a pergunta é "o que tenho eu com isto?". Não podemos esquecer que vivemos integralmente na sociedade e temos o chamado e a responsabilidade cristã de influenciar positivamente a nossa sociedade. O Senhor Jesus disse: "vocês são o sal da terra. [...] Vocês são a luz do mundo" (Mt 5:13a, 14a, NVI). Nutrir o sentimento e a atitude de alienação é um perigo que não é permitido ao cristão!

Daí, quando levamos esta estranha "normalidade" para o contexto da Igreja de Cristo, e percebemos algumas semelhanças. Parece ser "normal" não vir às reuniões de oração, não ler diariamente a Bíblia, não dedicar-se a prática devocional da oração, não se importar com o real bem estar dos nossos irmãos, não estudarmos nem zelarmos pela pureza doutrinária, não desenvolver a preocupação e prática evangelística. Este inconseqüente conformismo tem gerado a separação entre a convicção ética e a prática moral, ou seja, se sabe o que é correto, mas não há o interesse de modo coerente e inteligente de se viver.


"Não se moldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus" (Rm 12:2, NVI).

25 novembro 2006

Planejando as férias

O que você vai fazer nas férias? Talvez você ache estranho esta pergunta tão adiantada! Mas, todo planejamento é bom para evitarmos de fazer um "programa de índio", ou seja, decisões tomadas de última hora. A possibilidade de dar certo e ser proveitosa uma férias não programada antecipadamente é mínima.

Comece conversando com a família e descubra onde será o melhor lugar para que todos possam desfrutar de um período de bom descanso. Veja o lugar, não somente por causa do lazer, mas também se encaixará dentro do teu bolso.

Planeje bem as suas finanças antes de sair de férias. O planejamento não é apenas para as férias, mas também, para depois delas. Ao chegar de férias, você terá contas mensais, como água, luz, telefone, supermercado, etc. Não faça dívidas que vá arroxar o orçamento da família boa parte do ano. Lembre-se que no primeiro semestre do ano que vem, você tem algumas datas e compromissos, quer sejam planejados, ou não, que virão. Temos que incluir datas comemorativas que você desejará participar que envolvem gastos, e outros custos que mesmo pequenos, mas que quando somados formam um montante que pode assustar! Não recorra ao dízimo para cobrir as suas dívidas. Não use em benefício próprio o que não te pertence!

Não se esqueça de levar um bom livro para ler durante as férias. Férias não deve ser visto como ociosidade, mas mudança de atividade. Procure aprender algo novo, fazer descobertas e ampliar o universo do saber, renovando não apenas as forças, mas o conhecimento para mais um ano de trabalho. O descanso faz parte do projeto de Deus para a nossa vida e família. Pausar o trabalho diário não é um privilégio de desocupados, mas um mandamento de Deus para o renovo das forças para se produzir mais qualitativamente. Mas, este descanso deve ser feito com sabedoria e prudência para que realmente possa contribuir para o nosso bem, sem prejudicar as nossas finanças.

21 novembro 2006

Importante visita

Estivemos na cidade de Manaus entre os dias 15 à 17 de Novembro participando do Congresso Fé Reformada. Nesta feita, antes de virmos embora pudemos visitar um abençoado casal daquela terra. A nossa amada irmã Meire nos levou até à casa do Pr. Caio Fábio [o pai] e dona Laci, e ali tivemos uma proveitosa conversa de aproximadamente 40 minutos. Confesso que foi surpreendente ouvir este servo de Deus, homem experiente de 79 anos, provado pelo fogo, e de ministério aprovado diante do Senhor. Atentamente ouvimos e nos nutrimos. Desde a minha adolescência ouço falar deste homem de Deus, então, pude conhecê-lo pessoalmente.

Torna-te, pessoalmente, padrão de boas obras. No ensino, mostra integridade, reverência, linguagem sadia e irrepreensível, para que o adversário seja envergonhado, não tendo indignidade nenhuma que dizer a nosso respeito (Tt 2:7-8, ARA).

09 novembro 2006

O peso da culpa

A consciência é muito interessante, funciona como um dispositivo automático da culpa. Este sentimento é um incomôdo acusador da nossa alma. Causa desde leves lembranças até mesmo angústias enlouquecedoras para as pessoas mais sensíveis.

Pessoas que estão erradas se armam. Tentar disfarçar, mentir, evitar, fugir, agredir, adotar uma postura de vítima, ou contaminar outros com amargura gerada pela culpa são recursos muito comuns para tirar o foco do lugar onde o pecado está arraigado. Entretanto, o prazer da vingança não consegue eclipsar a vergonha do erro.

A consciência pode ser cauterizada, e o sentimento de culpa anulado, mas enquanto não houver arrependimento e confissão de pecado, a culpa estará presente. Conseqüentemente, um círculo de não-graça será estabelecido e criará um ciclo vicioso de ofensa-dor-amargura-inimizade-culpa.

Lance fora toda a amargura, medo, vergonha e culpa, pare de esconder-se das pessoas, pare de fugir do propósito de Deus para a sua vida. A essência da graça está na aceitação. Deus nos aceita quando nos humilhamos e confessamos arrependidos dos nossos pecados (1 Jo 1:9). O Senhor Jesus disse: quem vier a mim eu jamais rejeitarei (Jo 6:37b).

24 outubro 2006

Conselhos para Rebeca

Oi minha filha.

Por enquanto você não sabe ler, mas, espero que, se Deus quiser, você poderá ler esta carta um dia. Hoje a sua idade ainda é de 1 ano e 12 dias de vida. Mas, decidi começar a escrever a minha oração por você em forma de conselhos. Esta será a minha primeira, mas não a última prece escrita, intercedendo pela sua vida. Eu te amo muito, e tudo o que o Senhor me deu, quero deixar para que você seja uma pessoa produtiva em nossa família, no meio do povo de Deus e na sociedade. Não sei se conseguirei dizer e demonstrar pessoalmente, e se ainda, te convencerei de tudo isto que estarei escrevendo. Todavia, espero que você acredite em mim, mesmo se eu falhar.

A mamãe é linda. Você se parece muito com ela. Cada dia que passa eu amo mais ainda a sua mãe. Eu não sabia se isso seria possível, porque na inexperiência se comete muitos erros, e acontecem tantos imprevistos na nossa vida. Realmente, sei que o nosso Deus é muito gracioso comigo, muito mais do que consigo perceber. A sua mãe é prova desta misericóridia divina. Ela tem me suportado, e ainda positivamente me amado. Em muitas situações, Deus a tem usado para trazer firmeza e segurança ao meu coração. Tenho certeza de que tudo o que escreverei aqui, é também compartilhado no seu materno coração.

Em primeiro lugar, minha amada filha, desejo que você nunca se esqueça do seu Deus. Ele tem uma graciosa Aliança conosco. Quando eu e sua mãe nos casamos, sempre oravámos para que o Senhor nos desse filhos crentes. Sempre pedimos filhos da Aliança que temessem a amassem sinceramente ao Senhor Jesus. Durante a gravidez oramos pela sua saúde, mas sempre lembrando de consagrar a sua frágil vida nas mãos do nosso Salvador. Nunca esquecemos que embora você fosse herança do Senhor, antes de tudo desejavámos que você fosse herança para o Senhor. Quando você foi batizada (13/12/2005) na Igreja Presbiteriana de Cacoal, pelo Rev. Josenir Barbosa da Silva, aquele momento, para nós, foi muito especial. Você estava recebendo o sinal e selo da Aliança. Publicamente, diante do povo de Deus, você estava testemunhando a Aliança do Senhor contigo. Tive a honra de pregar naquela noite, em At 2:37-41, analisando que "... esta é a promessa, para vossos filhos...". Creio firmemente nesta Palavra. Estou orando para que você, no tempo do Senhor, receba a Jesus como o seu Salvador pessoal, e diante da Igreja de Cristo, faça a sua pública confissão de fé, confirmando o cumprimento da promessa do Senhor Deus em sua vida. Embora eu como pastor pudesse batizá-la, decidi pedir ao Rev. Josenir, por ser ele o pastor da vovó Leni, e estar pastoreando a igreja onde me converti, e fiz minha profissão de fé, uma igreja com pessoas muito especiais, por quem tenho muito carinho. Mas, na realidade, eu queria ter a experiência de não ser o ministrante do batismo, pelo menos naquele momento, porque, eu desejei com a sua mãe responder às perguntas e afirmar os votos do seu batismo, afinal, antes de ser o seu pastor, eu sou o seu pai.

Querida filhinha, tenha sempre em mente que o nosso Deus é soberano. Ele governa cada detalhe da nossa vida. O Senhor está fazendo com que "todas as coisas cooperem para o bem daqueles que o amam, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Rm 8:28; Gn 50:20). Ele soberanamente controla cada detalhe da nossa vida, até os cabelos da nossa cabeça estão contados (Mt 10:30). Quando algo doloroso, ou vergonhoso acontecer não se rebele, nem seja incrédula, não nutra amarguras em seu coração. Apegue-se a solene verdade de que o teu Deus te ama (Rm 8:31-39). Busque entender o Seu propósito em sua vida, porque todas as coisas são realizadas pelo sábio e santo desígnio de Deus. É um conforto e segurança inabalável saber que a nossa vida e a nossa família descansa nas mãos do Todo-Poderoso.

Minha pequenina filha não seja orgulhosa. Este é um pecado gravíssimo. Um cristão não pode ser arrogante, e um orgulhoso não consegue ser um cristão. "Deus resiste ao soberbo" diz a Escritura em tom intolerante! O orgulho atrai muitos adversários, e afasta os verdadeiros amigos. O orgulhoso é sempre alguém solitário, porque este pecado é instintivamente competitivo. Você terá a vida inteira para aprender porque não ser orgulhosa. Espero que aprenda da forma menos dolorosa possível. Este é um pecado sutil e ao mesmo tempo ofensivo à percepção de qualquer pessoa.

Cuidado com a língua. Não seja hipócrita, mas, saiba falar a verdade em amor. A mentira sempre é pecado, e nega a nossa filiação divina. Não seja exagerada, porque o excesso pode tornar-se em mentira. Cuidado com a calúnia, ela é uma faca de dois gumes. Saiba ouvir duas vezes, e fale menos, pois até o tolo calado é considerado sábio no silêncio. Evite emprestar os teus ouvidos para pessoas que não sabem dominar a língua, e têm o coração carregado de amargura.

Não acredite em qualquer coisa. Seja zelosa com a verdade, nem dê crédito a assuntos duvidosos, ou de origem incerta. Examine e seja criteriosa, pois o nosso Deus é verdadeiro e nos ensina a amar a verdade verificando diligentemente os fatos em cada circunstância. Aprenda que crêr é também pensar. Toda verdade é verdade de Deus; toda verdade se completa; nenhuma verdade se contradiz.

Não se desanime com as críticas. Não seja demasiadamente sensível com a falta de amor e de sabedoria das pessoas. Não as ame menos por causa do lado feio que elas manifestam. Seja sempre misericordiosa com a fraqueza delas, e nunca perca a esperança de que podem ser transformadas pela graça de Deus. Respeite-as em sua opinião, mas tenha sempre senso crítico e discernimento para reter o que é bom, justo e verdadeiro.

Caráter não se adquire com dinheiro, nem bens, por isso, nunca meça alguém pelo que ela possuí, mas pelas suas virtudes e dons. Não seja gananciosa, pelo contrário, seja esforçada para crescer na vida, tendo a mais sublime motivação: a glória de Deus. Nunca se esqueça que somos mordomos do Senhor e temos a responsabilidade de tudo o que somos e possuimos usarmos para o serviço do Reino de Deus. Nem mesmo nutra o amor pelo dinheiro, pois ele é a raíz de todos os males.

Minha filha saiba selecionar os seus amigos. As más companhias corrompem os bons costumes (1 Co 15:33). Saiba ouvir os conselhos dos amigos. Não aceite qualquer convite, não entre em qualquer lugar, nem vá a nenhum ambiente que a sua Bíblia não puder entrar contigo; nem coma, ou beba nada que antes não possa ser agradecido a Deus com alegria e liberdade de consciência.

Nunca deixe de se alimentar com a intimidade do Senhor. A oração não é um ritual mecânico, pelo contrário, é a necessidade de se relacionar com o amado Deus. Converse com Deus sabendo que Ele sempre te aceita e ouve cada real necessidade que te aflige. Ele sabe tudo o que está em nosso coração. Mas, Ele deseja o nosso relacionamento não apenas as nossas palavras. Não podemos modificar os planos de Deus com as nossas orações, mas somos transformados quando e enquanto oramos, porque Ele manifesta o Seu sábio poder para realizar o melhor segundo a Sua soberana vontade.

Se Deus quiser, que você constitua família, então case-se com um homem que tenha o temor do Senhor. O namoro, nem o casamento é uma instituição evangelística, ou seja, não se envolva primeiro esperando que ele se converta depois. Ame alguém que ama o Senhor. Não entregue o teu coração a quem não pertence a família de Deus, e não possuí o coração no Seu reino. Como esperar fidelidade de alguém que ainda é escravo do pecado? Não quero vê-la tendo que levar os seus filhos sozinha às reuniões do povo de Deus. Não me faça sofrer com você a incerteza de que o pai dos teus filhos não compartilhará da glória futura prometida pelo nosso Senhor. A família deve ser sempre unida, especialmente para adorar Àquele que a instituiu.

Procure confiar em mim, e em sua mãe. Vamos tomar cuidado para que a nossa idade, as nossas amizades, o nosso trabalho, as nossas crises e dúvidas pessoais não nos afastem uns dos outros. A sua mãe é a minha melhor amiga. Quero aumentar este meu vínculo de amizade com você. Pretendo ser o seu melhor amigo. Não importa o que você fizer, sempre te perdoarei, não pretendo desistir de você, pois, mesmo que me machuque, vou te amar! Nunca se esqueça disso.

Não me idolatre como alguém perfeito. Você descobrirá os muitos defeitos que tenho. A sua mãe é que o diga! Mas, me ame, só peço isto. Desejo ser para você um modelo de transformação. Não estou livre de errar com você. Gostaria de nunca exceder ou omitir no dar o que você precisa para ser uma pessoa melhor no reino de Deus. Se você quer me honrar ame ao nosso Deus e viva fielmente na obediência da Sua Palavra.Tenha sempre o propósito de em tudo glorificar a Deus. Uma vida que não glorifica a Deus não tem sentido, está sem rumo e vive a insensatez transitória do nada. Saiba que "nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si mesmo. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor" (Rm 14:7-8).

do seu amado papai
[revisado 24/10/2006]

20 outubro 2006

Meu irmão é problema meu

[Caim]: "Não sei; sou eu o responsável por meu irmão?" (Gênesis 4:9).

Vejamos novamente a pergunta que Deus faz a Caim sobre seu irmão Abel, e a sua resposta. Caim responde com outra pergunta: "Sou eu o responsável pelo meu irmão?" É uma resposta que ouvimos sempre. É uma que empregamos freqüentemente.

A pergunta de Caim comunica sentimentos que também demonstramos diante dos problemas dos outros: "Não posso me envolver; tenho meus próprios problemas." Conhecemos pessoas em angústia, mas atravessamos a rua para evitá-las. Vemos notícias na televisão sobre a fome na África e a epidemia de Aids. Então, viramos o rosto e nos esquecemos, distraídos pelo frenesi da vida cotidiana. É claro que não podemos carregar os problemas do mundo inteiro, mas também não podemos nos preocupar tanto com nós mesmos a ponto de nunca ajudarmos outra pessoa.


Com nossas atitudes estamos dizendo a Deus, "Por acaso sou eu o responsável pelo meu irmão?" E Deus responde, "Sim, você é!"

Deus não nos alivia da responsabilidade porque Ele vê cada um de nós como responsáveis pelos irmãos e irmãs. A Bíblia deixa claro que nosso trabalho é saber onde um irmão está e se a irmã precisa de ajuda e estender a mão em gestos de amor.

Extraído de CADA DIA Sexta-feira - 20/10/2006.

13 outubro 2006

A ética cristã

A ética cristã parte do pressuposto de que o Deus que se revela nas Escrituras Sagradas é o único Deus verdadeiro e que, sendo o criador do mundo e da humanidade, deve ser reconhecido, crido e obedecido como tal, e a sua vontade é expressa nas leis de princípios morais. Deus revelou-se através das palavras para a humanidade. Esta premissa é fundamental para a ética cristã, pois é dessa revelação verbal que ela tira os seus conceitos acerca do mundo, da humanidade e de como definir o que é certo e errado. A ética cristã pronuncia-se sobre questões individuais, sociais, políticas, ecológicas, econômicas, culturais e espirituais, porque Deus exerce a sua autoridade sobre todas as dimensões da existência humana.

Jesus deu-nos o exemplo que devemos seguir os seus passos, e, se a ética cristã é deste modo definida, então a maior necessidade característica do modo de vida e conduta cristã é obedecer aos mandamentos de Deus (Jo 13:15). A ética cristã não se limita apenas aos ensinos de Cristo e aos livros do Novo Testamento, mas, o seu conteúdo é a soma total das informações reveladas nas Escrituras Sagrada que dizem respeito ao comportamento humano.

A ética cristã é o conjunto de valores morais baseado nas Escrituras Sagradas, pelo qual o homem deve regular a sua conduta neste mundo, diante de Deus, do próximo e de si mesmo. A ética deve ser o estilo de vida, ou o comportamento sempre em conformidade com a fé cristã (1 Pe 1:18-19). Na Escritura onde um dever é prescrito, o pecado contrário é proibido; e onde o pecado é proibido, o dever contrário é prescrito; assim, onde uma promessa está anexa, a ameaça contrária está inclusa; e onde uma ameaça está anexa a promessa contrária está inclusa. Cremos firmemente que a Escritura é a única fonte e regra de fé e prática para a nossa vida.

30 setembro 2006

Qual é a sua motivação para trabalhar?

As pessoas medem o valor do seu trabalho pelo que ganham. Não é errado que se veja assim, pois “o trabalhador é digno do seu salário” (1 Timóteo 5:18, no grego o advérbio "digno" não significa necessariamente merecer, mas estar em conformidade). O pagamento é a recompensa da prestação de serviço realizado a outra(s) pessoa(s). Deve ser uma troca justa.

Mas, não devemos trabalhar somente pelo dinheiro, isto minimizaria o valor ético do trabalho. A nossa motivação para o trabalho não deve ser a ganância, mas o bem-estar social, que também desfrutaremos. O meu trabalho para ser produtivo deve beneficiar o maior número de pessoas possível.

Trabalhamos para a nossa própria auto-realização. Como é doloroso sentir-se inútil, improdutivo e descartável. São palavras aplicadas sem compaixão às pessoas que estão na sociedade e que não trabalham dentro das convenções sociais pós-modernas. Quando realizamos uma função na sociedade somos reconhecidos pela nossa participação nela. O trabalho quando produz benefício moral sempre dignifica.

Acima de tudo trabalhamos para a glória de Deus. Deus criou o trabalho (Gênesis 2:15). O trabalho não tem o propósito de ser uma punição, mas parte da nossa adoração e obediência a Deus, por isso, a ociosidade e a preguiça são chamadas de pecado (Provérbios 6:6). Use os teus dons e habilidades com a motivação correta e seja cada vez melhor no que faz, e a honra será o teu memorial. Seja exemplo para os seus filhos.

23 setembro 2006

Há sentido para a vida?

Qual o sentido da vida? Uma das canseiras da vida é a mesmice. A rotina parece, às vezes, uma repetição insuportável. "... e o que se fez, isso se tornará a fazer, pois, nada há de novo debaixo do sol." Salomão, um dos mais sábio homens que a terra já viu, se propôs a buscar o sentido para a vida. Lançou-se, diz ele, a provar as coisas, no desejo de encontrar nelas o prazer, o sentido para viver. E nesta procura foi onde poucos homens conseguem ir.

No seu extraordinário livro "Eclesiastes", conta a sua procura desesperada: primeiramente pensa que as possessões lhe trariam sentido. Tudo adquire, se torna muito rico, mas a conclusão: vaidade - nas suas palavras: "correu atrás do vento..." (Ec 2:1-11). Havia outras propostas. Conta que pensou ser a sabedoria, os estudos, a razão de viver. Se gaba de ser grande no conhecimento - mas que decepção: sentiu-se aborrecido, e de novo tinha "corrido atrás do vento" (2:12-17). Contudo, podia se aventurar em nova tentativa: o trabalho era tudo! Assim se entregou à fadiga, à dureza, pois nisto acreditava encontrar, para a vida, o sentido - e que concluiu? "Era, sem dúvida, correr atrás do vento" (2:18-26). Então, se atira como hedonista, no supremo engano de todos os mortais: o prazer, este é o sentido básico da vida. Música, esportes, sexo, e disse: "não privei meu coração de alegria alguma...". De novo teve de concluir que até na alegria do rosto, pode chorar o coração, e ironicamente, tudo foi correr atrás do vento (2:24-26). Por último, resolve ser altruísta e religioso. Nisto, como último abrigo da alma cansada, acreditou achar o sentido final do viver. Fazer o bem, freqüentar uma religião, ser moderado. Mas, para o seu desespero, tem de concluir: "tudo quanto sucede é vaidade" (5:1-7).

Afinal, após as suas frustrantes experiências, teria de concluir que tudo é mal? Não criou Deus as coisas? Não as fez para o nosso bem? Sem dúvida, contudo, o mal está no coração enganoso do homem. O tédio chega quando o nosso coração cansado esqueceu que o sentido, a alegria, a plenitude se acham somente em Deus. Só temos real e verdadeira alegria em Jesus! Ele disse: "vim para que tenhais vida e vida em abundância" (Jo 10:10). Esta vida em abundância não vem por meio das riquezas, da sabedoria, do trabalho, do prazer, ou da religião. Todas estas coisas podem ser boas. Mas só Deus, o temor à Ele, anula o enfado, mata o tédio e dá razão para viver em Jesus Cristo (Jo 14:6)!

Rev. Cleómenes A. de Figueiredo
Extraído do folheto 6a. IP de Belo Horizonte

13 setembro 2006

A benção da submissão feminina

A submissão é uma benção que muitas mulheres nestes tempos pós-modernos rejeitam. A sociedade cada vez mais competitiva tem estimulado os casais a entrar nesta louca avalhance de medição de forças, em vez de buscar uma vivência complementadora.

O tema submissão como papel feminino é considerado descontextualizado, senão antiquado, para mente feminina do século XXI. O movimento feminista, que tem afetado parte da Igreja, dita as regras do que é politicamente correto na sociedade, constrangendo os cristãos se posicionarem. Entretanto, a Palavra de Deus determina uma relação conjugal onde o marido sempre exerce a liderança em seu lar e na sociedade. Mas, para conferirmos se estamos falando a mesma linguagem quando usamos a palavra "submissão" vamos esclarecer que:

1. Submissão não significa que a mulher é inferior ao homem. É notório que há muitas mulheres mais capazes do que os homens. Existe um grande número de mulheres que são mais inteligentes, dinâmicas, organizadas e etc. Todavia, as suas virtudes e dons devem ser usados para potencializar as virtudes dos maridos e estimular a sua liderança.

2. Submissão não significa que a esposa deve anular a própria maneira de pensar. Se ela fizer isto, estará sendo insubmissa pela omissão do seu papel como auxiliadora.

3. Sumissão não significa desistir de influenciar o marido. Muitas vezes, nós maridos estamos errados, mesmo que sinceramente errados, a companheira não pode omitir a sua opinião, nem desistir de se esforçar em demonstrar no que a liderança do marido poderá prejudicar toda a família.

4. Submissão não significa que ela deve render-se a toda exigência de seu marido. A mulher não é um objeto do seu esposo, pelo contrário, Deus a criou em igualdade de valor, e deve ser respeitada em suas opiniões, necessidades, anseios, sentimentos e limitações.

Mas, o que significa submissão? Submissão é aceitar a liderança do marido, auxiliando-o, e respeitando a sua autoridade em todas as esferas da sociedade. A autoridade que pertence ao homem não é imposta à mulher, mas deve ser conquistada. Mas qual é a relação que Deus estabeleceu para o homem e a mulher? Podemos resumir didaticamente esta relação em quatro proposições:

1. Homens e mulheres são iguais em valor diante de Deus.
2. Homens e mulheres têm diferente papéis no lar, na igreja e na sociedade.
3. Homens e mulheres têm funções complementares.
4. Homens em tudo têm a primazia de autoridade.

As quatro principais qualidades masculinas para que a esposa possa sentir segurança em seguir e submeter-se ao marido são:

1. Liderança. O marido deve ser alguém que tem iniciativa, firme decisão, coragem e envolvimento no processo que lidera.

2. Protetor. A esposa necessita sentir-se confiante que o seu marido se esforçará para prover segurança, tendo boas intenções na liderança do lar.

3. Amoroso. A submissão está no coração da mulher, e é pelo coração que o marido atraí e lidera a sua companheira. O amor masculino é o fator que fará com que a esposa sinta prazer em ser submissa.

4. Provedor. É neste ponto que algumas esposas têm encontrado dificuldade em ser submissas aos seus maridos. Quando o homem se acomoda, e desiste de ser o provedor do seu lar, a mulher por necessidade da circunstância não se omite. Todavia, as esposas em vez de assumirem este papel devem exigir dos seus esposos o exercício da sua responsabilidade.

O casal para que consiga viver a harmonia liderança e submissão precisa:
1. Fortalecer um clima de compatibilidade no casamento.
2. Viver a prática da mutualidade entre os cônjuges.
3. Manter o sentimento de cumplicidade do lar.

08 setembro 2006

Cega, surda e muda - e expandiu sua inteligência

Helen Keller (1880-1968), uma mulher extraordinária, cega, surda e muda desde bebê, nos chama a atenção para a apreciação de nossos sentidos.
Apenas de posse do sentido do tato e uma perseverança inigualável, sob a orientação de Anne Sullivan Macy, Keller pôde aprender a ler e escrever pelo método Braille, chegando mesmo a falar, por imitação das vibrações da garganta de sua preceptora, as quais captava com as pontas dos dedos. O esforço de sua mente em procurar se comunicar com o exterior teve como resultado o afloramento de uma inteligência excepcional, considerada a maior vitória individual da história da educação. Ela foi uma educadora, escritora e advogada de cegos. Tinha muita ambição e grande poder de realização. Ao lado de Sullivan, percorreu vários países do mundo promovendo campanhas para melhorar a situação dos deficientes visuais e auditivos. É considerada uma das grandes heroínas do mundo. A Srta. Helen alterou nossa percepção do deficiente.


Em um de seus escritos, ela diz:
"Várias vezes pensei que seria uma benção se todo ser humano, de repente, ficasse cego e surdo por alguns dias no principio da vida adulta. As trevas o fariam apreciar mais a visão e o silêncio lhe ensinaria as alegrias do som".


Extraído de http://www.ejesus.com.br/conteudo.php?id=5708

05 setembro 2006

Limpando a nossa fonte

O Senhor Jesus nos revelou a origem de todos os nossos impulsos pecaminosos. Às vezes, fazemos coisas que depois nos perguntamos, com a consciência pesada de culpa, "porque fiz isto?". Algumas das nossas ações nos fazem muito infelizes. Jesus nos disse que: "porque do coração procedem maus desígnios, homícidios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias" (Mt 15:19). As pessoas não são más, ou têm atitudes maldosas, por causa da educação, da sociedade, ou por questões financeiras, mas por causa do mal que habita em cada um (Rm 7:7-25).

Segundo a Escritura Sagrada o coração é a fonte que controla toda a nossa personalidade. Tudo o que sou, ou faço depende do meu qualidade do meu coração. Não é uma menção ao orgão de carne que se encontra em nosso peito. A Bíblia usa esta figura de linguagem para se referir a algo que é oculto em nós. É uma realidade espiritual.

A humanidade tem conhecido os segredos da vida biológica, desde os microorganismos até a imensidão do universo, mas não é capaz de compreender como funciona o seu próprio comportamento! Cada um luta contra si mesmo, e o seu orgulho o torna infeliz e insatisfeito com a sua própria vida. Somos capazes de realizar grandes operações financeiras, entender a complexidade de um computador, gerenciar pessoas, mas corremos o risco de não saber o que fazer com os nossos sentimentos!

Entregue o teu coração ao Senhor Jesus. O reformador suiço João Calvino em seu brasão tem escrito: cor meum Domini offero prompte et sincere [o meu coração, a ti Senhor, ofereço pronto e sincero]. Esta é a disposição que o nosso Deus requer de cada um. Não confie em seu coração, se ele estiver vazio da Palavra de Deus (Jr 17:9), mas busque torná-lo cheio do amor de Deus (Rm 5:5). O Senhor Jesus disse: "porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração" (Mt 6:21).

19 agosto 2006

A dureza do coração

Os casamentos nem sempre se desenvolvem numa linha ascendente. Infelizmente, às vezes, têm os seus momentos de falhas, omissões e circunstâncias que geram dificuldades, e tiram o brilho do lar. Chegam dias chuvosos e tenebrosos que não permitem ver o sol. A alegria do casamento diminui, e alguns insanos pensamentos passam pela mente de que, talvez, seria melhor se estivéssemos sozinhos. Mas, graças à Deus, estes pensamentos passam e retornamos à sensatez, quando Deus prova que o seu projeto é para o nosso bem e felicidade.

É triste quando alguns casais não conseguem ver a luz no fim do túnel. A competição nascida no orgulho produz amargura. O desprazer da companhia e do diálogo se torna evidente a cada discordância. O desentendimento é doloroso, especialmente quando as palavras cortam com profundidade e, a agonia do não-perdão impede a cicatrização.

Quero apenas trazer à memória o grande perigo da "dureza de coração" que é a real causa de toda "não-graça" no lar (Mc 10:5). Esta dureza significa muito mais do que a insensibilidade e teimosia do cônjuge. Ser duro de coração indica uma indisposição em obedecer à Deus, criador do casamento, quanto a amar o cônjuge como Ele requer e ordena. O fato do casal entrar em discórdia e encaminhar o relacionamento para uma separação é apenas resultado da predisposta desobediência instalada em seus corações.

Toda desobediência deve ser submetida ao arrependimento. Todo sentimento pecaminoso somente será anulado pela sua confissão e abandono. A Escritura diz "o que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia" (Pv 28:13). O orgulho sempre é destrutivo. Amar é uma questão primária de obediência não de sentimentos!

12 agosto 2006

Isso é tudo o que há?

Ele enxugará dos olhos deles todas as lágrimas. (...) As coisas velhas Já passaram. (...) Agora faço novas todas as coisas! Apocalipse 21:4,5

Estava olhando umas velhas fotos de família. Uma delas era a lápide do túmulo de meus pais. Com os olhos sobre os nomes deles, perguntei-me: "Isso é tudo o que resta da vida? A vida não se resumiria numa viagem sem retorno ao cemitério? A vida faz algum sentido quando medida em termos de um certo número de anos vividos sobre a terra?" Mas, observando um pouco mais, vi a inscrição das palavras de Apocalipse 21:4: "'Ele enxugará dos olhos deles todas as lágrimas." Que promessa sensacional: o melhor está para vir! Um túmulo não é tudo o que resta da vida. A morte não tem a última palavra. As lágrimas que derramamos não são derramadas em vão. Deus vê nossas lágrimas, mas algum dia Ele as limpará para sempre. O próprio Deus algum dia fará que nossos sofrimentos cheguem a um fim. Há promessas gloriosas que nos esperam. Quando cessar nossas lutas, empreendimentos, realizações, sofrimentos aqui na terra, poderemos ainda esperar pelo melhor. A perspectiva da vinda do Reino de Deus suaviza e ilumina nossa peregrinação. Aquele futuro, próximo ou distante, será nosso, se verdadeiramente formos o que professamos ser: o povo escolhido que tem o nome de Cristo.

Extraído do devocional CADA DIA [Segunda-Feira - 31/07/2006]

09 agosto 2006

Decisões em família

Ser chefe do lar não é uma tarefa fácil! Às vezes temos que tomar decisões que não são simples. Decisões que, sinceramente, apertam o coração. Pessoalmente, sempre temo que uma de minhas decisões prejudique a minha família. Decisões não são feitas olhando os movimentos do coração. Embora Deus pode dirigir os nossos sentimentos, e produzir medo, alegria, tristeza, ou segurança para conduzir-nos na Sua vontade, não devemos apoiar nas emoções como se elas fossem a regra final para sentenciarmos o que vamos, ou não fazer. As importantes decisões da vida não podem ser resolvidas tão superficialmente.


Quando buscamos andar dentro da vontade de Deus, não significa que estaremos livres do sofrimento e das dificuldades conseqüentes as nossas decisões, mas temos a fiel segurança da Sua divina providência conosco. Sempre que recorremos ao discernimento dado pelo Espírito Santo para que não nos desviemos da Sua santa vontade é o primeiro sinal de temor e sabedoria. Mas, Deus não nos dá o discernimento como se fosse uma nova revelação fresquinha descida lá do céu! Ele nos dá a sabedoria para que a usemos com responsabilidade diante daquilo que teremos que decidir.

Observe os seguintes princípios que teremos que analisar antes de decidir acerca de qualquer assunto:

1. Nenhuma decisão pode contrariar a santidade de Deus. Todo claro ensino das Escrituras deve ser a nossa única regra de fé e prática. Se qualquer decisão a ser tomada envolve a quebra de qualquer mandamento, preceito ou princípio de santidade, então, com toda certeza ela não é da vontade do Senhor, pois Ele não pode negar a si mesmo, e não pode aceitar ninguém na Sua presença, que não ande na Sua vontade.

2. Sempre olhe como Deus está movendo os acontecimentos ao seu redor. A porta que o nosso Senhor abre ninguém fecha, e a que Ele fecha, ninguém consegue abrir. Sabemos que "Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito" (Rm 8:28, NVI). Este "agir de Deus" envolve a direção, o governo, a concorrência, o sustento e a preservação de todos os eventos, de modo que, tudo têm as digitais de Deus, e ao mesmo tempo cooperam entre si para indicar o divino propósito para a nossa vida. Deus cuida de todos os detalhes em tudo o que faz, desde os assombrosos eventos até o despercebido movimento dos átomos, Ele dirige, controla e determina com infinita sabedoria, poder e misericórdia conosco! Assim, quando buscamos saber o seu santo querer devemos atentamente olhar como as coisas estão se movendo, sem nunca esquecermos que o Senhor está em, com e através de todas as coisas.

3. Converse em família sobre o que todos os membros pensam da situação. A família é um corpo que vive, sofre, anseia, perde ou vence em conjunto, e conseqüentemente deve pensar, orar, planejar e buscar a direção de Deus juntos. Os planos de Deus não devem contrariar a solidificação do lar. Deus não trabalha contra a família, nem se agrada em vê-la destruída; por isso mesmo, é nesses momentos de expectativa que a família deve orar junta. O culto doméstico prova o seu valor quando o praticamos como sendo o momento em que lembramos que o nosso lar é um altar consagrado ao Senhor.

4. Analise como os dons e talentos poderão ser úteis no plano de Deus. Talvez, você queira realizar uma obra que está além das suas capacidades. É claro, sabemos que é Deus quem capacita, mas, Ele capacita dinamizando os dons que nos deu. O chamado [alguns preferem o termo vocação] de Deus somente é dado após os dons, porque, primeiro Deus prepara e depois dá a finalidade. O propósito de Deus para a nossa vida fica menos difícil de descobrir quando olhamos as nossas habilidades inatas e espirituais.

5. Busque conselheiros que temem, amam e andam com Deus. Primeiro ouça os seus pais; depois o seu pastor e os demais líderes que o Senhor colocou sobre a sua vida. Converse com irmãos que têm uma vida consagrada de oração e que se alimentam regularmente com a Palavra de Deus, eles são pessoas que estão em intimidade com o nosso amoroso Pai, muito provavelmente os seus pensamentos estão em sintonia com os pensamentos do Senhor, e poderão compartilhar conselhos prudentes que poderão ajudá-lo muito.

Aqueles que desejam meditar mais diligentemente neste assunto indico dois excelentes livros:
1. Sinclair Ferguson, Descobrindo a vontade de Deus (Editora PES);
2. B. Waltke & J. MacGregor, Conhecendo a vondade de Deus (Ed. Cultura Cristã).

Boa leitura!

Que o nosso soberano Deus lhe manifeste com clareza e convicção a Sua boa, agradável e santa vontade. Amém.

27 julho 2006

Os benefícios do dízimo e ofertas

Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós bênção sem medida (Ml 3.10, 11 e 12, ARA).

Quando somos fiéis na entrega dos nossos dízimos e ofertas acontecem muitos benefícios. O primeiro benefício envolve a nossa obediência ao mandamento de Deus. A Escritura diz que quando obedecemos à Ele, temos a providência divina manifesta em nosso lar de modo especial. Não creio na teologia da prosperidade, mas creio na prosperidade do reino de Deus que vem em conseqüência à obediência.

Não devemos olhar o dízimo apenas como o ato de entregar o dinheiro à casa do Senhor, mas como uma atitude de fidelidade, de amor e gratidão pelas bençãos da Sua providência. Deus é fiel. Ele continuamente cuida de nós em tudo. Apesar de ser um mandamento, ela deveria sair de cada um como algo voluntário, dado com prazer e satisfação, jamais como uma pesada obrigação. Pode-se dizer que a contribuição cristã só começa quando damos mais do que um décimo da nossa renda. O dízimo não deve ser um teto em que paramos de contribuir, mas um piso a partir do qual começamos.

Quando há fidelidade nos dízimos, jamais faltará na casa do Senhor meios para que a obra prossiga. Deus desperta a fidelidade dos seus servos para que Ele possa manifestar a Sua graça. Os dízimos e ofertas sustentam os seus servos que são chamados por Cristo para trabalhar tempo integral no reino de Deus. Vários projetos sociais e evangelísticos são realizados pelo movimento financeiro que ocorre na igreja. A cultura através de escolas e faculdades cristãs, literatura, programas sociais educacionais são desenvolvidos por causa dos recursos que começaram pela liberada do povo de Deus. A Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, foi iniciada como um projeto missionário do casal Chamberlain, e posteriormente a família Mackenzie dos EUA ofertou uma expressiva soma de dinheiro para a ampliação da escola. Servos de Deus que contribuiram para abençoar a vida de outras pessoas.

Dar um décimo da minha renda não é algo digno de vanglória. Ninguém pode argumentar, ou negociar com Deus usando o dízimo, porque dizimar é uma responsabilidade cristã. Deus requer o dízimo, merece as ofertas, defende as nossas economias e orienta-nos em nossas despesas.

Se Deus lhe desse dez vezes o que você Lhe dá, o seu lar conseguiria viver com isso?

Aqueles que desejarem aprofundar no assunto, indico o estudo do Pb Solano Portela sobre "dízimos" no site http://www.solanoportela.net/artigos/dizimos.htm

20 julho 2006

Coisinhas por consertar

Não sei se você em sua casa tem “coisinhas por consertar”. Talvez, seja uma lâmpada para trocar, uma janela para lubrificar, uma fechadura para ajustar, uma fiação elétrica para emendar, uma goteira no telhado para estancar, uma torneira que num pára de gotejar, e a lista segue. Tudo tem o seu prazo de validade, mesmo que não venha expresso e logo, logo precisarão ser substituídas! Nesta quinta-feira separei alguns minutos para por em ordem estas incômodas “coisinhas por consertar”, e enquanto ia consertando a tomada do meu escritório (há seis meses estragada!) pensava como poderíamos evitar alguns problemas simplesmente consertando coisas pequenas.

O problema é quando temos “coisinhas por consertar” nos nossos relacionamentos! Às vezes, palavras mau faladas, e ressonantemente mau aceitas passam despercebidas depois de algumas horas da discussão. Mas, os estragos não percebidos permanecem por longo tempo, pelo fato de considerarmos uma “coisinha sem valor”, então, fica por consertar.

Certamente percebemos pequenas deficiências dentro do nosso lar que precisam ser conversadas, mas adiamos para outra ocasião, por não considerarmos tão urgente. Tem um ditado inglês que diz por causa de um prego perdeu-se uma ferradura; por causa da ferradura perdeu-se o cavalo; por causa do cavalo perdeu-se o cavaleiro; por causa dum cavaleiro perdeu-se a batalha; por causa duma batalha perdeu-se a guerra.

São coisinhas por fazer que podem trazer grandes estragos em nossa vida. Na parábola dos talentos a Escritura Sagrada nos diz que “muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco, eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor” (Mt 25:21, NVI). Verdadeiros incêndios são iniciados por pequenas fagulhas com origem nos lugares menos esperados. Se formos cuidadosos em sermos fiéis nas pequenas coisas, conseqüentemente seremos muito felizes no resultado final.

Os cristãos e a raiva

Esta meditação ajudou-me muito a refletir acerca do modo como devo cuidar dos meus sentimentos. Desejo compartilhar com vocês esta reflexão do Rev. Arthur J. Schoonveld. Meu desejo é que o Senhor vos abençoe do mesmo modo, ou mais, do que me edificou. Boa leitura!

"Se você ficar com raiva, não deixe que isso o faça pecar e não fique com raiva o dia todo (Efésios 4:25-32). A Bíblia nos ensina que há dois tipos de ira: a justa e a pecaminosa. A ira é justa quando o cristão fica bravo e indignado com o pecado. Ele abomina o pecado. Muitas vezes, porém, a ira é pecado. Daí a recomendação de Paulo para que nossa ira não se torne pecado por guardá-la em nossos corações . Noutra versão bíblica a expressão é enfática: "Não deixem que o sol se ponha com vocês ainda irados." Mesmo os crentes sinceros vivem constantemente irados, às vezes, por coisas banais, como um pneu furado, um líquido derramado, um objeto desaparecido. Aí acende-se o estopim e estraga-se um passeio, uma refeição ou uma atividade social. Mesmo lutando contra a ira, muitos crentes se irritam facilmente. Vem a explosão, o descontrole, em geral perto de pessoas que não querem magoar, erguendo-se, assim, um muro que os divide e separa. A ira pecaminosa ergue também um muro entre nós e Deus. É uma ira destrutiva. Às vezes, essa raiva excessiva pode vir de problemas químicos ou fisiológicos. Daí, precisamos de ajuda médica. Mas mesmo assim, sempre devemos também contar com a ajuda do Espírito Santo, que frutifica em nós a mansidão, a bondade e o domínio próprio."

Pense:A ira envenena nosso espírito, adoece nosso corpo e causa muito mal às pessoas ao nosso redor.

Extraído da meditação do CADA DIA (LPC) do dia 18/07/2006

17 julho 2006

Confraria Calvinista

Por iniciativa de alguns jovens calvinistas, foi criado um novo blog que reúne calvinistas de várias denominações protestantes que têm em comum a teologia reformada. Trata-se do blog Confraria Calvinista - http://calvinistas.blogspot.com/ Além dos assuntos postados, os links indicados no índice são ótimos referenciais para o estudo da cosmovisão cristã reformada/calvinista. Diversos temas como religião, política, artes, economia, valores morais e outros apontamentos são abordados.

13 julho 2006

Encontro de gerações

A Rebeca teve o privilégio de conhecer a sua bisavó. Neste mês de Julho fomos à Governador Valadares e Tarumirim (MG) e conheci os parentes da minha esposa. Nesta foto temos a Rebeca, a Vanessa, a Nelita e a Taninha (da esquerda para a direita).

O encontro de gerações é um privilégio maravilhoso. O vínculo que nos une não é apenas o sangue, mas a Aliança de Deus. Herdamos não apenas as características genéticas, mas as promessas de Deus feitas aos pais acerca dos seus filhos. Mas, para que isso aconteça é necessário viver o compromisso da Aliança da graça. Deus exige a obediência dos pais, e impõe a responsabilidade de serem exemplo e de instruir os filhos a temer e amar o Senhor com a própria vida.

A Escritura diz "o SENHOR te abençoe desde Sião, para que vejas a prosperidade de Jerusalém durante os dias de tua vida, vejas os filhos de teus filhos. Paz sobre Israel!" (Sl 128:5-6).

02 julho 2006

O pecado no lar

O pecado sempre é algo desastroso, mas os destroços são mais perceptíveis quando ele afeta o nosso lar. É bom lembrarmos que o tempo gasto no pecado é desperdiçado para sempre. O remorso pelo erro nos escraviza com a vergonha do passado, mas o mandamento do arrependimento nos dá a esperança de olharmos para um novo começo. Mas, o tempo perdido não volta atrás.

O meu pecado coloca um fardo imenso sobre os membros da minha família. A impureza moral dentro de casa torna o lar um ambiente pesado e desprazeiroso. No devido tempo, o meu pecado produz tristeza em meu coração, porque o meu pecado sempre nos torna menor do que poderíamos ser. Como é angustiante ver a família desmoronando.

Todos ao meu derredor, incluindo a minha família, sofrem conseqüências por causa do pecado. O pecado entristece os santos de Deus. Ele é altamente ilusório e enganador, e faz com que acreditemos que ganhamos, quando na realidade, nos torna verdadeiros perdedores. Ele pode impedir que nos qualifiquemos para a nossa liderança espiritual, enquanto maridos e pais, porque os supostos benefícios do pecado nunca superam as conseqüências da desobediência. Mas, mesmo o arrependimento do pecado que é um processo tão doloroso, deve inevitavelmente ser buscado, porque o pecado é um prazer momentâneo em troca de perdas por toda a eternidade.

O meu pecado pode influenciar outros a pecar. Daí, algumas famílias que tem uma estrutura e cultura pecaminosa comunicada por várias gerações. Não podendo esquecer que este pecado pode impedir que outros conheçam a Cristo, especialmente os nossos filhos. Cremos que os pecados dos pais por menosprezarem a cruz, sobre a qual Cristo morreu com o objetivo específico de removê-los, lhes rouba a boa reputação e destrói o bom testemunho, e aqueles que são mais sinceros serão prejudicados por causa do seu escândalo. Não se iluda dentro da nossa família as nossas máscaras caem!

O pecado somente glorifica a Deus quando Ele o julga e o transforma numa coisa útil, nunca porque o pecado é digno em si mesmo. Apesar das nossas falhas e infidelidade com a Aliança com Deus, Ele em sua misericórdia, pode fazer com que "todas as coisas cooperem para o nosso bem", mas devemos esperar pela graça que nos sustenta e nos basta, e não pela misericórdia que somente se manifesta quando a nossa miséria nos causou imensurável dor. Prometemos a Deus que Ele seria o Senhor da nossa vida e do nosso lar.

Não seja hipócrita tentanto mostrar uma falsa perfeição para a sua família. Mas, demonstre como o pecado te entristece, e como você se arrepende com sinceridade, procurando ser, dentro do seu lar, um modelo de transformação que glorifica a Deus pelo seu amor incondicional.

19 junho 2006

Família: tempo gerúndio

O tempo é tema de infindáveis discussões filosóficas e teológicas. Mas, esta é uma crise de quem está preso nele. A minha preocupação não é com o seu aspecto metafísico, mas simplesmente prático, não que o entendê-lo seja menos importante do que vivê-lo, mas porque o meu propósito é refletir acerca do tempo que desperdiçamos com futilidades.

Desperdiçar o tempo revela algumas falhas que de outro modo não seriam percebidas. O desaproveitamento do tempo indica a falta de propósito e significado pessoal. A nossa vida não deve ser infrutífera e irrefletida. O estado de alma torna-se visível pela qualidade de tempo que se vive.

A Palavra de Deus nos adverte "lembre-se do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: não tenho neles prazer" (Eclesiastes 12:1). Embora o autor contextualmente enfatize a decadência que o processo do envelhecimento trás em nosso corpo, podemos inferir também que "não tenho neles mais prazer" envolve a perda de algo muito mais valioso do que o próprio vigor físico, ou seja, a perda de amados que o tempo tira. Isto inevitavelmente acontecerá quando chegar o "tempo de morrer" (Eclesiastes 3:2). Então, concluimos que a saudade nada mais é do que a lembrança de bons tempos que não voltam mais.

Quantos anos você tem? Quanto tempo você pensa ter ainda?

Use responsavelmente o seu tempo de forma produtiva com a sua família. Saiam juntos, recreiem, viajem, planejem, vivam no tempo gerúndio, sempre compartilhando experiências como dádivas de Deus, porque quando estivermos separados pela morte somente teremos a saudade.

Flores é um presente que só faz sentido dar para as pessoas que estão vivas, nos túmulos são apenas ornamentos.

02 junho 2006

O filho pródigo

A seqüência de parábolas narradas por Jesus, em Lc 15:3-32, talvez, sejam a melhor ilustração do perdão gracioso de Deus, que salva pecadores. As três parábolas são: a ovelha perdida (vs. 3-7); a dracma perdida (vs. 8-10); e, por fim, o filho pródigo (vs. 11-32). Embora as três narrativas tenham temas comuns, como "a perda", "o encontro", e "a alegria", elas também possuem ênfases diferentes. O famoso exegeta judeu-cristão Alfred Edersheim observa que "na parábola do filho perdido o interesse principal centraliza-se em sua restauração. Não trata da tendência natural, nem do trabalho e o pó da casa como causa atribuída à perda, mas a livre decisão pessoal de um indivíduo. O filho não se perde e se extravia; não cai e se perde da vista, mas marcha voluntariamente, e sob circunstâncias agravantes" (La Vida y los Tiempos de Jesus el Messias,vol.2, CLIE, p.203). Em nenhum momento Cristo apresenta o filho pródigo como vítima, ou como produto do meio, mas é descrito como alguém que impiedosamente age contra o seu pai, que sem afetos abandona o seu lar, e que segue para uma terra distante para ser esquecido e esquecer as suas origens.

Nesta parábola temos três personagens. Não é correto pensarmos no filho pródigo como sendo o personagem principal. O pai amoroso e o filho mais velho não são segundários, mas partes de proporcional importância nesta narrativa, abordando aspectos diferentes da mesma situação. Mas, nos referiremos a ela como tradicionalmente se tem feito: a parábola do filho pródigo. Afinal, o pecado e a manifestação prática da graça é que são os verdadeiros temas centrais nesta história. William Barclay sugere que "seria melhor chamá-la de 'parábola do pai amoroso', porque nos fala mais do amor de um pai do que do pecado de um filho" (Lucas - El Nuevo Testamento Comentado, Ed. La Aurora, p.200). O filho mais novo é um jovem que perdeu a oportunidade de ser o filho prodígio para se tornar o pródigo. Uma família judia comum, como qualquer outra nos tempos de Jesus, foi usada para ilustrar como Deus age para restaurar um relacionamento seriamente prejudicado pelo pecado.

O pecado é inerentemente sem sentido. Se tem um momento que a insensatez do pecado fica esclarecido, é quando tentamos entender o motivo de alguém que teria todos os benefícios possíveis simplesmente escolhendo praticar o amor, e insensivelmente prefere o desprezo, por causa, de algum pecado pessoal. O pecado faz filhos sairem de casa em inimizade. Casais que inicialmente fizeram juras de amor, e viveram sublimes momentos de romance se separam com ferinas palavras de amargura. Continuar desejando fartar-se de comida podre enquanto poderia comer uma refeição decente. Preferir trabalhar para um estranho, em troca de comida, deixando de construir a própria herança com o pai. Consumir todos os bens, vivendo o hoje, e esquecendo que a vida toda se dependerá de sustento. Simplesmente não faz sentido. Mas, além de insensato, o pecado também torna o indivíduo insensível. Neste caso, a maior evidência desta verdade é a insensibilidade com os próprios sentimentos, de modo, que o amor perde o seu brilho e alegria, tornando temporariamente ofuscado, sem valor e propósito.

26 maio 2006

Nada substitui o amor

Em 1 Co 13:1-7 lemos a surpreendente declaração acerca do amor. O apóstolo recorre a uma hipérbole para ilustrar que o sacríficio, ou doação, sem a motivação do amor, "nada disso me aproveitará" (vs.3). A hipótese levantada de que "ainda que eu distribua todos os meus bens", se isto não tiver como causa o amor, será em vão. Há três princípios que nos lembra de que nada substitui o amor.

1. A sua ausência não pode ser compensada trocando a sua presença por presentes. Alguns maridos e pais pensam que pelo fato de estarem ausentes o dia todo, e conseqüentemente a semana toda, podem preencher o vazio com presentes! Ganhar presentes é algo agradável, mas a presença sempre é melhor. Se você tiver dúvidas quanto a isto, tenha a santa ousadia de perguntar qual das duas opções é preferível. Não adianta dar um video games, DVD, computador, até mesmo um carro, ou qualquer outro presente se você não está junto, para se divertir e usufruir, não necessariamente do objeto em si, mas da alegria da pessoa amada.

2. Não deixe de disciplinar o seu filho por causa da sua ausência. Há pais que por causa do sentimento de culpa, não conseguem exercer a sua autoridade paternal na hora em que seu filho erra, corrigindo-o quando necessário. Em sua mente, talvez, venha o pensamento: "passo tanto tempo fora de casa, e quando estou presente, só repreendo, brigo, e corrijo o meu filho? Afinal, ele também precisa de carinho". O problema é que o carinho na hora errada é prejudicial. Não podemos nos esquecer que a disciplina também é um ato de amor (Hb 12:4-13). Não devemos descrer desta verdade absoluta. Quando estamos juntos, há tempo para todas as coisas e, isto significa tempo de cariciar e, tempo de disciplinar, conforme a necessidade.

3. A melhor herança é a que suscita saudades. Quando está longe você é esperado por causa dos presentes que trará? Quando não mais estiver presente qual é o sentimento que florará na sua família? O medo de não ter mais a estabilidade econômica que você oferece? Ou, a saudade de momentos insubstituíveis que são possíveis somente com você? Penso no "filho pródigo" (Lc 15:11-32) que quando esgotou toda a sua herança numa terra estranha, lembrou da casa do seu pai. Não pensou na possibilidade de conseguir mais um pouco de dinheiro para continuar uma vida vergonhosa, mas naquele momento de miséria, lembrou da bondade que somente o seu pai poderia oferecer, uma virtude que o motivaria andar uma longa distância, e se humilhar na certeza de ser aceito, apesar do desprezo que deixou para o seu pai. Nada substitui o amor. O amor presente é melhor mesmo do que o presente de amor.

25 maio 2006

Pais e filhos

Paulo ordena que os filhos obedeçam as ordens dos seus pais e os honrem. Ele diz que é o primeiro mandamento. Provavelmente pretendeu dizer o primeiro mandamento que a criança teria que aprender de memória. A honra que Paulo exige não é uma mera honra de palavra; a única maneira de honrar aos pais é obedecendo-os, respeitando-os e não causando-lhes dor.

Mas, Paulo percebe que o problema tem outra faceta. Diz aos pais que não provoquem a ira dos seus filhos. Bengel responde a pergunta do porquê este mandamento definitivamente também se refere aos pais. As mães têm uma espécie de paciência divina, mas "os pais são mais propensos à ira." Chama a atenção de que Paula repete as suas ordens de forma mais completa em Cl 3:21. "Pais", ele diz, "não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados.". Bengel disse que a doença do juventude é o "espírito desanimado"; o desalento que pode proceder de uma crítica e censura contínua, ou de uma disciplina demasiadamente dura. David Smith pensa que Paulo escreveu isto a partir de uma amarga experiência pessoal. Disse: "Vibra aqui uma nota de emoção pessoal e parecia que o coração do cativo ancião retornasse ao passado e recordava de desamorosos anos da sua própria meninice. Educado na atmosfera aústera da ortodoxia tradicional, experimentou pouca ternura e muita serveridade, e conheceu 'essa praga da juventude: o espírito desanimado'".

Podemos de três maneiras ser injustos com os nossos filhos:
1. Podemos esquecer que as coisas tendem a mudar. Os costumes de uma geração não são os da outra. Elinor Mordaunt nos narra como deteve a sua pequena filha para que não fizesse algo, dizendo-lhe: "Quando eu tinha a sua idade não me deixavam que fizesse isso." E a menina respondeu: "Mas, mamãe, deve lembrar que a senhora vivia naquela época, eu vivo hoje." Os pais podem causar um imenso dano esquecendo que os tempos mudam e os costumes também.

2. Podemos praticar um controle tão rígido que se torne num descrédito para a educação dos filhos. Manter um filho por demasiado tempo em andajares é confessar que não se confia nele, e isto no fundo é simplesmente dizer que não confia na forma em que se tem educado. É melhor correr o risco de equivocar-se confiando demasiadamente, do que controlando de forma exagerada.

3. Podemos esquecer o dever de estimular. O pai de Lutero era muito rígido, tão rígido que chegava a ser cruel. Lutero costumava dizer: "Omita a vara e arruinarás o menino - isto é verdade; mas, junto da vara tenha uma maçã para dá-la quando ele fizer o bem." Benjamim West nos narra como chegou a ser pintor. Certo dia a sua mãe saiu, encarregando-o de cuidar da sua irmãzinha Sally. Na ausência da sua mãe encontrou alguns frascos com tinta colorida e começou a fazer um retrato de Sally. Ao fazê-lo causou uma considerável desordem e manchou tudo com tinta. Ao retornar, a sua mãe observou a bagunça, mas não disse nada. Tomou o pedaço de papel e contemplando o desenho disse: "Esta é Sally!" Então, inclinou-se para beijar o menino. Depois Benjamin West costumava sempre dizer: "O beijo de minha mãe me fez pintor". O estimulo produz mais do que a reprovação. Anna Buchan nos conta como a sua vó repetia uma frase favorita ainda quando era de idade avançada: "Nunca amedronte os jovens."

Segundo Paulo, os filhos devem honrar os seus pais, mas os pais nunca devem desanimar os seus filhos.


Extraído de William Barclay, Gálatas y Efesios - El Nuevo Testamento Comentado, Editorial La Aurora, 1973, pp. 186-187.
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki

20 maio 2006

Celebração do matrimônio

No casamento é possível perder tanto tempo reparando nos erros do outro que nunca sobrará tempo para aumentar o nosso amor. É importante lembrarmos que o matrimônio é a união de pecadores e não de dois anjos. Os votos da união conjugal são promessas feitas por pessoas imperfeitas a outras pessoas imperfeitas, num mundo anormal onde tudo foi estragado pelo pecado desde a Queda!

A união de Cristo com a Igreja é a norma para o vínculo entre um homem e uma mulher. Se os maridos ao menos tentassem imitar um pouco do imenso amor que Cristo nutre pela sua Igreja, e se as esposas desejassem agradar e respeitar aos seus maridos da maneira que Deus quer que agrademos e alegremos a Cristo, então não haveria mais problemas.

Dolorosamente o casamento não é composto de sentimentos e momentos só de carinho. Mas, em meio as circunstâncias que não podem encher o coração com emoções românticas e alegres, devemos lembrar que o amor verdadeiro é paciente e benigno. As circunstâncias que trazem à tona o amor verdadeiro não são momentos tranqüilos, mas sim os atribulados. É quando agüentamos as fraquezas e as características irritantes da outra pessoa que o amor é paciente. A briga do casal consegue transformar o único lugar seguro de toda a vida num local exposto a ataques sem deixar nenhum lugar para onde se possa correr. Após o desentendimento só resta lugar para o perdão. Ou perdoamos, ou adoeceremos. Ou reconciliamos, ou mataremos o lar. O casamento é o permanente chamado para que o “marido ame a sua esposa", e, "esposa seja submissa ao seu marido”. Então, você poderá celebrar o matrimônio.

19 maio 2006

Virtudes de minha mãe

Aurélio Agostinho descrevendo as virtudes de sua mãe, demonstra tanto a admiração filial, como instrui os seus leitores como uma esposa e mãe cristã deve proceder. É possível aproveitarmos algumas de suas sugestões. É interessante notar como Agostinho atribui todas as virtudes de sua mãe como sendo resultado da graça de Deus. Ele registrou no livro Confissões (398-399 d.C.) que "desse modo, educada no pudor e na sobriedade, e submissa por ti a seus pais, mais que por seus pais a ti, quando chegou à idade de casar-se, foi dada a um marido, a quem serviu como senhor. Procurava conquistá-lo para ti, falando-lhe de ti através das virtudes, com as quais tu a tornava bela e pelas quais o marido a respeitava, amava e admirava. Suportou infidelidades conjugais, sem jamais hostilizar, demonstrar ressentimento contra o marido por isso. Esperava que tua misericórdia descesse sobre ele, para que tivesse fé em ti e se tornasse casto. Embora de coração afetuoso, ele se encolarizava facilmente. Minha mãe havia aprendido a não o contrariar com atos e palavras, quando o via irado. Depois que ele se refazia e acalmava, ela procurava o momento oportuno para mostrar-lhe como se tinha irritado sem refletir. Muitas senhoras, embora casadas com homens mais mansos, traziam sinais de pancadas que lhes desfiguravam o rosto e, nas conversas entre amigas, deploravam o comportamento dos maridos. Minha mãe, pelo contrário, ainda que com ar de brincadeira, lhes reprovava as conversas, lembrando-lhes que o contrato lido no casamento devia ser considerado como o documento da própria submissão, não tendo elas condição de assumirem atitudes de soberba contra seus senhores. Conhecendo o tipo de marido colérico que minha mãe suportava, muito se admiravam por nunca se ouvir dizer ou se revelar, por algum indício, que Patrício tivesse batido na mulher, nem algum dia tivessem brigado em casa. As amigas perguntavam-lhe confidencialmente a razão disso, e ela explicava-lhes o comportamento que acabo de descrever. Algumas então adotavam o mesmo sistema e congratulavam-se por havê-lo experimentado. Aquelas que não o observavam continuavam a sofrer violências.

A princípio, a sogra irritava-se contra ela, devido aos mexericos de servas intrigantes; mas foi também conquistada pelo respeito e pela perseverança na paciência e na doçura, de tal modo que ela própria quis denunciar ao filho, pedindo que fossem punidas as línguas malévolas que se interpunham entre ela e a nora, perturbando a paz familiar.

(...)

Concedeste ainda, 'ó meu Deus e minha misericórdia' (Sl 58:18), um dia, um grande dom àquela tua fiel serva, em cujo seio me criaste. Sempre que havia discórdia entre pessoas, ela procurava, quando possível, mostrar-se conciliadora, a ponto de nada referir de uma a outra, senão o que podia levá-las a se reconciliarem. E isso fazia, depois de ter ouvido de um lado, as queixas amargas que costumam surgir nos casos de forte antipatia, quando o rancor provoca as mais ásperas acusações contra as amigas ausentes. Esse dom me pareceria de pouca importância, se uma triste experiência não me houvesse mostrado que grande número de pessoas - não sei qual horrendo e muito difundido contágio do pecado - não só repetem a pessoas inimigas o que umas dizem das outras, sob o mais foram pronunciadas. Para uma pessoa realmente humana, não será suficiente limitar-se a não provocar ou aumentar as inimizades, com ditos malévolos, mas também procurar extingui-las com boas palavras.

Assim era minha mãe, graças às lições que tu, seu mestre espiritual, lhe ensinaste. E ao final, nos últimos anos de vida do marido, ela o conquistou para ti. Depois da conversão deste, ela não precisou mais lamentar os ultrajes que antes sofria.

Minha mãe era a serva de todos os teus servos. Todos os que a conheciam louvavam, honravam e amavam profundamente a ti, por nela sentirem a tua presença, comprovada pelos frutos de uma vida santa. Tinha sido esposa de um só marido, tinha cumprido seu dever para com os pais, tinha governado a casa com dedicação e dado o testemunho das boas obras. Educara os filhos, gerando-os de novo tantas vezes quantas os visse afastarem-se de ti. Enfim, ainda antes de adormecer para sempre no Senhor, quando já vivíamos em comunidade depois de ter recebido a graça do batismo - já que por tua bondade, ó Senhor, como se nos tivesse gerado a todos, servindo a todos nós, como se fosse filha de cada um."

Extraído de Confissões IX.9, Editora Paulus, 1997, pp. 252-254.

12 maio 2006

Porquê os filhos devem honrar aos pais?


Que base os pais têm para que os filhos sejam obrigados a tratá-los com honra? Não estamos pergutando o que um pai tem que fazer para merecer o direito de ser honrado. Os pais têm um direito natural de receber honra simplesmente porque conceberam e cuidaram de um filho. O dever do filho pressupõe o direito do pai, mas, porquê?

Eliminemos primeiramente algumas razões plausíveis, mas equivocadas, que fazem da honra um dever do filho. Primeiro, está a mística do sangue. O sentido judaico-cristão do dever filial não se baseia sobre o rito consanguínio da transição, na experiência do nascimento. Algumas pessoas poderão sentir uma sensação de reverência com os seus antecedentes que canalizaram o sangue da vida que há neles para formar uma família, passada e futura. Mas, o que está por trás do dever da honra não é a mística do sangue, senão a opção moral, não num sentido de reverência, mas numa vontade de manter a ordem familiar.

O dever de honrar os pais tão pouco é conseqüência da pecaminosidade do filho. Os filhos não são mais pecaminosos do que os pais, e deixar um menino em liberdade não é mais arriscado do que dar autoridade a um pai. Se as famílias existissem num mundo perfeito, sem dúvida os pais ainda assim estariam encarregados dos filhos, mesmo que estes fossem perfeitos. O dever da honra, como a maioria das obrigações primárias, não está arraigado na natureza pecaminosa do menino, mas no propósito divino para a família divina.

Em terceiro lugar, não devemos a honra aos nossos pais em gratidão pelo que por nós fizeram. Provavelmente a maioria de nós sente muita gratidão pelos seus pais, ainda que muitos outros acumulam ressentimentos pelas graves faltas que cometeram. Onde abunda a gratidão, também há um poderoso motivo para obedecer ao mandamento, mas esta não pode ser a razão básica, pela qual Deus a proclamou. A razão do mandamento tem que estar no tecido da família, na função de que os pais devem desempenhar no crescimento e criação dos filhos.

Se existe alguma razão pela qual os pais têm um direito ao respeito da parte dos seus filhos, sugiro que é da autoridade. Na pequena sociedade chamada família, em que se experimentam intimidades humanas prazeirosas e penosas pertencentes à relação humana fundamental, uma das fortes fibras que mantêm unida a aliança é a autoridade dos pais. Atualmente a autoridade não é uma faceta muito popular da vida familiar, e incontáveis lares abandonaram deliberadamente, confundindo a autoridade com uma espécie de tirania a que todos os que respeitam os direitos da criança devem destruir. Não obstante, vou argumentar que a autoridade paterna, corretamente entendida, é essa qualidade que todos os pais têm e que corresponde a honra que os filhos devem tributar-lhes. A autoridade é a coluna vertebral da vida familiar. É tão importante para a força da comunidade humana que o Senhor Deus, num dos cinco mandamentos fundamentais para a vida, nos chamou a honrar os nossos pais devido ao chamado que tinham de criar-nos e guiar-nos, enquanto seus filhos, sob o seu cuidado.

Extraído de Lewis B. Smedes, Moralidad y Nada Más, Nueva Creación, pp. 83-85.
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki

08 maio 2006

O peso dos pais


No Decálogo o quinto mandamento é "honra o teu pai e a tua mãe para que se prolonguem os teus dias sobre a face da terra" (Êx 20:12). Mas, o que envolve esta honra? Podemos usar três palavras para descrever a honra: obediência, reverência e gratidão. A obediência é exercida enquanto os filhos estão debaixo da tutela dos pais, mas a sua obrigatoriedade absoluta cessa quando os filhos alcançam autonomia, ou casam. Mas, a reverência e a gratidão acompanham o coração do filho mesmo após a morte de seus pais.

Os pais quando envelhecem são um peso para os filhos? Para muitos são! E, esta é uma triste realidade criada pela desobediência do quinto mandamento. Mas, curiosamente a palavra "honrar" no hebraico é kabbad (lembrando que o Antigo Testamento foi escrito nesta língua) que literalmente significa grande, pesado e honra. Mas a idéia aqui não indica o peso do incômodo como alguns filhos interpretam os seus pais, mas significa o peso do valor que eles são e por tudo o que fizeram. Os pais têm grande peso de valor para os filhos, e é assim que Deus exige que os reconheçamos.

Porquê Deus preferiu usar a palavra honrar, e não amar? O Senhor poderia ter ordenado "Ame o teu pai e a tua mãe", mas Ele escolheu o verbo honrar. Martinho Lutero sugere que "honra é mais elevada do que o simples amor, ela inclui um temor que une ao amor e faz com que a pessoa tenha mais receio de ofendê-los, do que de ser castigada" (Das Boas Obras). É este receio de ofender que caracteriza a obediência do quinto mandamento.

Os pais devem ser honrados por serem a primeira e contínua autoridade na nossa vida. Novamente podemos citar Lutero observando que Deus "separa e destaca pai e mãe acima de todas as outras pessoas na terra e os põe ao lado Dele" (Catecismo Menor). A devoção filial é tão correta como necessária como parte da nossa sanidade mental, emocional e espiritual. Afrontar, ou desprezar os pais é violentar a própria alma, porque Deus quando nos criou também nos estruturou para honrar os nossos pais. Por isso, que um relacionamento distorcido ou pecaminoso, pode gerar sérias e dolorosas conseqüências na vida dos filhos. Paulo mencionando este mandamento diz "honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra" (Ef 5:2-3).

Algumas sugestões práticas para que você possa honrar os teus pais:

  • Providencie o sustento necessário se eles precisarem.
  • Respeite-os temendo ofendê-los.
  • Obedeça sem murmurações, nem amarguras.
  • Valorize-os por tudo o que já fizeram por você.
  • Escute as suas opiniões e conselhos.
  • Não tenha vergonha da pobreza, doenças e simplicidade dos teus pais.
  • Não os difame em suas falhas.
  • Não ridicularize os seus defeitos pessoais.
  • Não despreze a sua experiência.
  • Não irrete-os, provocando-lhes a ira.
  • Não gere neles o sentimento de fracasso.
  • Não lhes passe a impressão de que são um estorvo na sua vida.

06 maio 2006

Aniversário de casamento


Hoje completamos 6 anos de casamento. Coincidentemente, há 6 anos atrás na sexta-feira tínhamos ido ao cartório com os familiares e alguns amigos para realizarmos o casamento civil, e no sábado à noite, precisamente às 19:00hs, a Vanessa estava linda à porta da Igreja Presbiteriana de Pimenta Bueno. A pequena igreja estava cheia de pessoas, de sorrisos, de expectativas, de amigos e amados.

O Rev. Leonço e o Rev. Aziel presentes para celebrar a nossa união, tendo por testemunha primeiramente o Deus da nossa aliança, e a sua igreja. Apesar da ansiedade do momento, ainda lembro do sermão, tenho vivo na memória cada pergunta e cada sim, tanto meu como da Vanessa, que respondemos aos votos terminando com "...até que a morte vos separe. Amém."

Nesta manhã, em nosso culto doméstico, um tanto que emocionado, orei ao Senhor, por todas as bençãos que Ele nos concedeu, pelas dificuldades, enfermidades, acidentes, desentendimentos, e decepções acompanhadas de sinceras lágrimas que nos ajudaram a amuderecer e a conhecer mais intensamente um ao outro. Também agradeci pela pessoa especial que ela é prá mim! Pelas suas virtudes, pela sua sabedoria, paciência, submissão, cuidado e zelo! Hoje amo a Vanessa com maior convicção e maturidade do que há 6 anos atrás. Casamento é a união de dois pecadores em processo de santificação, sendo transformados pela graça e para a glória de Deus.

Todo casamento é potencialmente estruturado por Deus para produzir um ambiente de felicidade. O problema é a "dureza do vosso coração" (Mt 19:8). Enquanto lutarmos uns contra os outros demoliremos o nosso lar, mas a partir do momento que entendermos que a nossa luta deve ser contra a nossa "dureza de coração", então não será difícil abrir mão de mágoas e do orgulho para favorecer o outro.

A imagem escolhida neste artigo são ninféias, flores aquáticas que crescem sem ter a firmeza e a estabilidade da terra. Se nutrem com resíduos que estão na água. Mesmo em dias chuvosos não afundam, nem são prejudicadas pela força do sol, a sua estrutura lhes permite crescer e desenvolver com beleza, segurança e equilíbrio sobre a água, sem muitos recursos. Elas ilustram como Deus pode criar e preservar algo para ser melhor do que o ambiente pode oferecer. Não são as circunstâncias que irão favorecer a qualidade do lar, mas a graça de Deus.

04 maio 2006

Eu creio na família


Uma família de verdade é uma declaração de fé perante Deus. Dizer eu creio na família significa crêr no Deus que criou e estabeleceu propósitos definidos para a família. A verdade, o amor e a santidade são padrões absolutos de Deus para reger cada lar. As nossas famílias são dependentes da soberana providência do Senhor. Em momentos de crise, reconhecemos que sem Ele "nada podemos fazer" (Jo 15:5).

A primeira instituição (sei que para alguns a idéia de "instituição" soa mau!) criada por Deus foi o casamento. Antes do pecado estragar tudo e trazer toda desordem que conhecemos muito bem, o casamento era um relacionamento de complementação, cumplicidade e mutualidade. O pecado poluiu a família. Temos a prova desta triste tragédia nos capítulos 3 e 4 de Gênesis. Mas, não era para ser assim!

Quando somos salvos, em Cristo Jesus, não é somente o indivíduo que é transformado, mas toda a família. O conceito de solidariedade familiar não era apenas uma teoria judaico-cristã, mas uma promessa de Deus ao afirmar que "creia no Senhor Jesus, e serão salvos, você e os de sua casa" (At 16:31, NVI). Conseqüentemente a prática do batismo infantil era o resultado da conversão dos pais, fundamentados na sua aliança com Deus que se estendia aos filhos, abrangendo toda a família. Pedro esclarece que "a promessa é para vocês, para os seus filhos e para todos os que estão longe, para todos quantos o Senhor, o nosso Deus, chamar" (At 2:39, NVI). Por esta razão lemos a respeito da conversão de Lídia que "tendo sido batizada, bem como os de sua casa..." (At 16:15, NVI).

Quero desafiá-los a aceitar o desafio de Josué: "eu e a minha família serviremos ao SENHOR" (Js 24:15b, NVI). Eu creio no Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo que criou, sustenta, dirige, governa, preserva e salva a minha família.