28 abril 2007

Orando por não cristãos

Pouco se ouve nas intercessões dos cristãos a oração por não crentes. Às vezes, ela ocorre de forma generalizada, ou senão por alguma necessidade de saúde, ou problema familiar específico. Mas, raramente se ora para que Deus atue na causa dos problemas dos não crentes. Esta meditação tem a finalidade de refletir acerca de alguns motivos que devemos nos empenhar para interceder por aqueles que não são convertidos.

Devemos orar para que Deus freie os seus impulsos pecaminosos. Muito mais importante do que orar pela saúde física é rogar para que Deus cure a enfermidade espiritual. Aqueles que ainda não têm Jesus como o Senhor de suas vidas, que não experimentaram existencialmente um arrependimento verdadeiro, nem confiam em Cristo como o seu salvador pessoal, infelizmente permanecem escravos do pecado e inimigos de Deus (Ef 2:2-3). Eles não estão apenas espiritualmente doentes, mas mortos (Ef 2:1). O pecado gera muito problema, por isso, não resolve orar apenas pela conseqüência, se não atacarmos primeiramente a causa. A ação de Deus tem que ser primeiramente no coração, e não apenas nas necessidades do dia a dia.

É necessário orar para que o ímpio não nos prejudique. Existem pessoas que quando entram na nossa vida fazem um arrazo. Podem até mesmo nos deixar emocionalmente doentes! Por isso, a Escritura nos ordena que abençoemos aqueles que nos perseguem (Rm 12:14). Neste momento precisamos ser sinceros, e avaliar o nosso coração e perguntar-nos se não necessitamos orar por nós mesmos, para que depois sejamos capazes de orar pelos nossos opressores. Devemos amá-los, e embora seja possível que não sintamos afeto por eles, por causa da ofensa, é necessário, agir com amor, mesmo quando não sentimos o amor! A oração é um ato de amor. Há pessoas que se fazem insuportáveis, e conseguem atrair o ódio sobre si, por causa de atitudes perversas e insensatas. Mas, como servos de Cristo não podemos permitir que tais sentimentos nos dominem. Entretanto, isto somente é possível quando começamos a orar por aqueles que nos perseguem! É verdade que o nosso soberano Senhor coloca pessoas para nos oprimir com o propósito de experimentarmos quão consolador é o Seu amor em nós, e transformador na vida do ímpio.

Precisamos orar para que Deus tenha misericórdia deles. Eles não sabem orar por si mesmos! Necessitam de alguém que tenha intimidade com Deus, o faça. Você que experimenta a maravilhosa graça do Senhor deve suplicar para que Cristo possa extender a sua misericórdia sobre as suas vidas também. Geralmente quando algum ímpio nos faz mal, logo pensamos em pedir a justiça de Deus sobre a vida deles! O nosso redentor sendo crucificado, orou pelos seus executores (Lc 23:34).
Se Deus atender positivamente a nossa oração, então, eles poderão orar por si mesmos, e, também orar por nós!

19 abril 2007

Orare et labutare

Oração não é entregar-se à ociosidade. Existe uma errônea idéia de que se orarmos e entregarmos a Deus o que estamos pedindo, então podemos cruzar os braços e descansar! É claro que quando oramos devemos entregar-nos para que o nosso Senhor Jesus cuide de todas as nossas ansiedades. Todavia, a soberania de Deus não anula a responsabilidade humana.

Neemias organizou o povo quando percebeu estar sendo ameaçado pela conspiração de Sambalá e Tobias. A sua organização envolvia o projeto de reedificação dos muros de Jerusalém e uma defesa contra o ataque dos adversários. A Escritura menciona que "ajuntaram-se todos ali de comum acordo para virem atacar Jerusalém e suscitar confusão ali. Porém, nós oramos ao nosso Deus e, como proteção, pusemos guarda contra eles, de dia e de noite" (Ne 4:8-9). A sabedoria que Deus concedeu a Neemias o levou a reconhecer que Deus estava no controle de tudo, mas, apesar disto eles não se fizeram negligentes. Não pararam a construção, nem baixaram a guarda contra os seus inimigos, pelo contrário, tornaram-se mais cautelosos ainda, sob a direção do Senhor.

Se você não estiver disposto a esforçar-se por aquilo que pede, como pode esperar que Deus o faça? Como você pode esperar que o Senhor lhe abençoe se você for um irresponsável? Agindo com negligência nos teus afazeres? Vivendo com omissão nos teus deveres? Como posso pedir que Deus converta muitas pessoas se não abro a boca, e não testemunho do evangelho? Como posso orar por boas notas, ou aprovação num teste ou concurso, se não me dedico a estudar? Deus não abençoa o erro, mesmo que seja com sinceridade. Não adianta orar e confiar que Deus pode abençoar, se você não quer se comprometer. Aquilo que é tua responsabilidade, Ele não irá realizar!

Sabemos que tudo é pela graça de Deus, não merecemos nada dEle! Alguém disse: oração exige orar e ação! Mas, não esqueçamos de que o nosso labor é obediência e não mérito pessoal. Por isso, novamente podemos citar João Calvino: orare et labutare, ou seja, ore e se esforce!

12 abril 2007

Orando em nome de Cristo

Os crentes no final das suas orações têm o costume de encerrar declarando: em nome de Jesus, amém. É correto que seja assim, pois o próprio Senhor nos instruiu que pedíssemos em seu nome (Jo 14:13-14). O puritano inglês Thomas Watson declarou que “orar em nome de Cristo, não é apenas mencionar o Seu nome na oração, mas esperar e confiar em Seus méritos” (The Ten Commandments, 240). Se pensarmos no nome de Jesus apenas como uma palavra mágica para garantir o sucesso à nossa oração estaremos blasfemando ao misturar superstição com o santo nome do nosso redentor.

O Catecismo Maior de Westminster declara que “orar em nome de Cristo é, em obediência ao seu mandamento e com confiança nas suas promessas, pedir a misericórdia por amor dele; não por mera menção do seu nome, porém derivando o nosso ânimo para orar e a nossa coragem, força e esperança de sermos aceitos, em oração, por Cristo e sua mediação” (CMW, perg./resp. 180). Então, somente teremos acesso às bençãos do Pai, por meio de Jesus, porque Ele é o mediador da nova Aliança. Ele está diante do Pai, e por nós intercede eficazmente, garantindo a providência para todas as nossas necessidades nesta presente vida.

Não temos outro intercessor, nem podemos suplicar para que Maria, a mãe de Cristo, rogue por nós pecadores. Somente Cristo é Deus; apenas Ele sofreu e obedeceu perfeitamente ao Pai; Ele é o único que morreu e ressuscitou em nosso favor; ninguém além dEle sabe o que é sofrer intensivamente a punição no lugar de milhares de pecadores; suficientemente Ele tem todo o poder no céu e na terra, e pode atender as nossas reais necessidades. Por isso, Lucas declara que “não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4:12).

Ao orar “em nome de Jesus” não estamos sozinhos. Por causa dos nossos pecados somos incapazes de nos apresentarmos diante do Pai. Ele suplica ao Pai, por nós, como se estivesse pedindo para Si mesmo. Sabemos que o Pai não nega nada ao amado Filho. Quando usamos o nome de Jesus Cristo, em nossas orações, não estamos apenas cumprindo um ritual, mas de fato, suplicamos para que o nosso Senhor faça Sua a nossa oração!