30 dezembro 2010

Pastoral para 2011

Amados irmãos, em 2010 na avaliação final concluímos que tivemos um ano produtivo. Foi positivo apesar das dificuldades, perdas, e não cumprimento de algumas metas. Nem por isso vamos paralisar e lamentar o que não alcançamos, mas precisamos avaliar o que ainda precisa ser realizado, que não iniciamos, ou está inacabado e nos empenharmos firmemente com o compromisso de que tudo seja feito para a glória de Deus, e que sob a Sua aprovação poderemos cumprir os objetivos para 2011.

Para que tudo dê certo primeiramente precisamos da benção do nosso Senhor Jesus. Sem Ele nada poderemos fazer, sem que seja da Sua vontade nada se cumprirá e, sem que se tenha a intenção de promover o Seu nome pela proclamação do evangelho não teremos êxito em nossos projetos (Jo 15:5). Assim, em tudo o que fizermos não nos esqueçamos da oração, da direção do Espírito do Senhor, de avaliarmos as motivações e o objetivo, e ainda de suplicar a Sua aprovação.

Em segundo lugar, olhemos a igreja local como um todo. Não pensemos isoladamente, nem promovamos ações ou projetos excludentes. Lembre-se: você ou o grupo em que você participa faz parte de algo maior. Temos uma agenda de atividades para o ano, então, quando possível evitemos conflitos de atividades. Não cometamos o erro de promover uma igrejinha dentro da igreja. Somos um corpo que precisa crescer proporcionalmente “seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor” (Ef 4:15-16). Pensemos que em cada atitude como uma indispensável participação, fazendo-se presente, somando, contribuindo, sugerindo, avaliando, divulgando, construtivamente criticando, de modo que, todos sejam durante o processo e no final beneficiados. Informe-se quanto aos projetos que o Conselho aprovou para 2011, e veja como você se inclui neles.

Pr Ewerton B. Tokashiki

19 setembro 2010

Herança do Senhor

O Senhor deu-nos filhos lindos! Posso parecer meio coruja, mas tenho minhas razões para sentir-me satisfeito com a herança que o meu Deus me deu. Eles são inteligentes, alegres e saudáveis! Até hoje nunca perdemos uma noite de sono por causa de enfermidade, nem tivemos o sofrimento de correr para o hospital. Deus é excedentemente gracioso conosco e somos muitíssimo gratos à Ele.

Eu e minha esposa temos nos dedicado a orar por eles, instruí-los no caminho do Senhor, sob a autoridade da Palavra de Deus, e encaminhá-los ao convívio do povo de Deus. Esforçamo-nos em sermos sinceros e verdadeiros em nosso testemunho cristão, e de vivermos o amor de Cristo, o nosso Senhor em nosso lar. Na correção falamos com amor, e lembramos que os seus erros não são apenas deslizes da imaturidade, mas são pecados contra Deus, e contra nós, enquanto pais (ÊX 20:12). Quando pecamos, e eles entendem e percebem, procuramos conversar e demonstrar que infelizmente também somos pecadores, e nos envergonhamos de nosso procedimento pecaminoso. E quando necessário lhes pedimos perdão pelo nosso mau testemunho. Eles sabem que não somos perfeitos e não temos como esconder isto, mas que amamos e buscamos a santidade de Deus, arrependemos pelos seus próprios pecados, e continuamente buscamos a transformação e crescimento no amor de Cristo. Clamo a Deus que nenhum de nossos pecados prejudique os nossos filhos, de modo que sejamos escândalo e motivo de tropeço.

Temos sempre pensado em como educar os nossos filhos. Embora a Rebeca e o João Marcos têm idade aproximada um do outro, menos de 2 anos, nos preocupamos em como acompanharmos o seu desenvolvimento individual, e adaptarmos o método de ensinar e corrigi-los. Eles estão descobrindo as coisas, pela nossa conversa, pela TV, pelos irmãos da igreja, pelos parentes, pelos coleguinhas da escola, e pelos outros conhecidos em diferentes lugares. Muita informação e valores são expostos à eles. A Escritura nos adverte que "não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes" (1 Coríntios 15:33). Sabemos que eles são pecadores, e como todos nasceram pecadores, e que a sua tendência será a inclinação para o pecado. Por isso, precisamos treiná-los a amar e temer ao Senhor. Eles devem saber o que é certo e errado, não é uma questão apenas de afirmar uma moral do lar, mas a ética do Reino de Deus, do qual eles são filhos da aliança.

Eu temo e tremo apenas em pensar na possibilidade de que os meus filhos possam não amar ao Senhor! Se isto acontecer será uma das maiores angústias da minha alma. Em minhas orações sempre derramo o meu mais sincero anseio diante do meu Deus: que Ele os converta o quanto antes, e faça-os andar diante dEle. Antes mesmo deles nascerem, eu e Vanessa orávamos para que o Senhor nos desse filhos crentes, filhos da aliança. A minha preocupação não é de que os meus filhos me envergonhem, enquanto pastor, mas desonrem o Nome do nosso amado Deus com os seus pecados e dureza de coração! Acima deles eu amo o meu Deus, que os deu para nós, para a nossa alegria e para a Sua glória. Por isso, guardo em meus pensamentos a Palavra que me diz "mas a misericórdia do SENHOR é desde a eternidade e até a eternidade sobre aqueles que o temem, e a sua justiça sobre os filhos dos filhos; sobre aqueles que guardam a sua aliança, e sobre os que se lembram dos seus mandamentos para os cumprir" (Salmo 103:17-18).

Tudo o que somos e temos pertence ao nosso Deus. O nosso relacionamento, o nosso trabalho e os bens que acumularmos durante toda a nossa vida serão nada, se não tivermos o prazer de ver os nossos filhos vivendo para o Senhor Jesus. A nossa real herança são eles, e eles para Deus.

"Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre o seu galardão."
(Salmos 127:3)

27 julho 2010

Calvinistas amargos?

Não entendo como pessoas inteligentes e tão capazes, que abençoadas por Deus com o entendimento correto do Seu evangelho, podem se tornar tão amargas? Tudo bem que devemos crer firme e inegociavelmente nas Escrituras Sagradas, e disto absolutamente não abro mão, mas cuspir maribondo quando alguém discorda, creio ser exagero! Honestamente falando não vejo motivo de corroer o opositor numa ácida verborragia.

Você que me lê deve pensar qual o motivo deste artigo?! Pois bem, estive pensando como pessoas que conhecem a graça que é imerecida, devido à nossa pecaminosidade; que é irresistível, devido à soberania divina; que é terna, devido ao amor eletivo de Deus; não entendo como estas pessoas que conhecem as Doutrinas da Graça, e vivem os benefícios do eterno decreto de Deus, em Cristo, conseguem viver um orgulhoso isolamento? Com facilidade agridem até mesmo os confrades. É uma incoerência absurda entre o sistema de pensamento e prática! B.B. Warfield esclarece que o
calvinista é o homem que vê Deus por trás de todo fenômeno, e, em tudo o que sucede, reconhece a mão de Deus operando a sua vontade; o calvinista, em todas as atividades de sua vida adota uma atitude permanente de oração; o calvinista se entrega completamente à graça de Deus e, exclui qualquer traço de autosuficiência em toda a obra da salvação.[1]

Sei que há adiáforas que nos separam. Certa feita pensei em escrever um artigo sobre os pontos de discordância entre os calvinistas. Mas, fui tomado por um discernimento mais agudo da minha motivação, que me levou a perceber a implicação antecipada do meu perverso intento. Percebi que estaria apenas contribuindo para aumentar as lacunas que existem, e de nada aproveitaria, senão para enfatizar aos adversários do Calvinismo que há pontos menores que nos dividem; e, também estaria fortalecendo animosidades desnecessárias. Se alguém me pedir pra, pelo menos, mencionar em esboço que pretendia escrever, responderei: arreda Satanás!

Não acredito que como calvinista preciso esmagar os meus adversários teológicos. John Newton, calvinista e escritor do famoso hino Amazing Grace, certa vez escreveu que
quanto ao seu oponente, eu desejo que, antes mesmo que você coloque a sua pena sobre o papel contra ele, e durante todo o tempo em que estiver preparando a sua resposta, possa você entregá-la, por meio de sincera oração, ao ensino e à benção do Senhor. Esta prática terá uma tendência direta de levar o seu coração e amá-lo, bem como de ter compaixão dele. Tal disposição terá uma boa influência sobre cada página que você escrever. [2]

Conheço alguns calvinistas que são amargos de doer. Talvez, seja realidade na experiência de alguns dentre nós [afinal também sou calvinista] o modo como Ralph W. Emerson jocosa, mas equivocadamente, descreveu: conheci um médico brincalhão que descobriu o credo no canal biliar e costumava afirmar que se houvesse uma doença no fígado, o homem havia se tornado um calvinista [3]. Não estou convencido em dizer que calvinistas amargos, sejam calvinistas no sentido completo do termo, ou que realmente ensinem coerentemente sobre a soberana graça de Deus, pois a sua postura evidencia que perderam um aspecto essencial da graça de Deus, ou seja, a ternura.[4]

Nota:
[1] B.B. Warfield, Calvin as a Theologian and Calvinism Today, p. 24.
[2] John Newton, "On Controversy" in: Works of John Newton, vol. 1, págs. 268-269.
[3] Alister McGrath, A vida de João Calvino , pág. 153.
[4] A amargura fecundada pela ofensa é uma disposição pecaminosa que constantemente tem assediado o meu coração. Somente o entendimento e a mortificação deste pecado, pela graça de Deus, leva a desfrutar duma percepção correta da graça de Deus e viver a sua ternura.

14 abril 2010

RESOLUÇÕES DE JONATHAN EDWARDS


12 de janeiro de 1722

1. RESOLVI que farei tudo aquilo que seja para maior glória de Deus e para o meu próprio bem, proveito e agrado, durante toda a minha vida.
2. RESOLVI que tudo o que sentir ser o meu dever e que traga benefícios para a humanidade em geral, não importando quantas ou quão grandes sejam as dificuldades que venha a enfrentar.
3. RESOLVI jamais desperdiçar um só momento do meu tempo; pelo contrário, sempre buscarei formas de torná-lo o mais proveitoso possível.
4. RESOLVI jamais fazer alguma coisa que eu não faria, se soubesse que estava vivendo a última hora da minha vida.
5. RESOLVI jamais cansar de procurar pessoas que precisem do meu apoio e da minha caridade.
6. RESOLVI jamais fazer alguma coisa por vingança.
7. RESOLVI manter vigilância constante sobre minha alimentação e aquilo que bebo, para ser sempre comedido.
8. RESOLVI jamais fazer alguma coisa que, visse outra pessoa fazendo, achasse motivo justo para repreendê-la ou menosprezá-la.
9. RESOLVI estudar as Escrituras tão firme, constante e freqüentemente, que possa perceber com clareza que estou crescendo continuamente no conhecimento da Palavra.
10. RESOLVI esforçar-me ao máximo par que a cada semana eu cresça na vida espiritual e no exercício da graça, além do nível em que estava na semana anterior.
11. RESOLVI que me perguntarei ao final de cada dia, semana, mês, ano, como e onde eu poderia ter agido melhor.
12. RESOLVI renovar freqüentemente a dedicação da minha vida a Deus que foi feita no meu batismo e que eu refaço solenemente neste dia, 12 de janeiro de 1722.
13. RESOLVI, a partir deste momento e até à minha morte, jamais agir como se a minha vida me pertencesse, mas como sendo total e inteiramente de Deus.
14. RESOLVI que agirei da maneira que, suponho, eu mesmo julgarei ter sido a melhor e a mais prudente, quando estiver na vida futura.
15. RESOLVI jamais relaxar ou desistir, de qualquer maneira, na minha luta contra as minhas próprias fraquezas e corrupções, mesmo quando eu não veja sucesso nas minhas tentativas.
16. RESOLVI sempre refletir e me perguntar, depois da adversidade e das aflições, no que fui aperfeiçoado ou melhorado através das dificuldades; que benefícios me vieram através delas e o que poderia ter acontecido comigo, caso tivesse agido de outra maneira.